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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Justiça injusta

O baixo nível civilizatório de um extrato da sociedade pode ser constatado quando ao invés de clamar por justiça ela clamar por rigor. Justiça não deve ser rigorosa nem condescendente, ela deve ser justa. Simplesmente.
O rigor seletivo é pior ainda. Quando o judiciário busca o rigor, busca pegar um caso para servir de exemplo, ele é injusto, pois a justiça tem entre outros atributos a constância. Ela deve ser previsível, deve trazer segurança. Se um caso é selecionado para exemplo, se é tratado com mais rigor, significa que todos os outros foram tratados de forma mais condescendente, mais benéfica. Isso é injustiça.
Assim, a justiça, das instituições ou dos homens, é injusta quando é rigorosa com o marginal no bairro da zona sul ou com os corruptos de determinados partidos e não com o empresariado corruptor ou os corrompidos de outros partidos. É o populismo judiciário. Tem seus fãs...
Justiça não serve para aplacar o clamor social ou para dar resposta aos contribuintes ou seja quem for, justiça tem que ser justa, é uma medida exata. Uma decisão judicial quando tem por escopo vingar a vítima, faz de vítimas todos nós, todo o Estado Democrático de Direito.
Justiça extrema é injustiça.” Marcus Cícero

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O Brasil brasileiro

Devagar com o andor. As coisas só parecem estar tão ruim. Ação de justicieros, assim como violência em protestos, de polícia ou manifestantes, é reprovado pela maioria das pessoas,aponta Datafolha.
A bestialidade diária na imprensa assusta as pessoas de bom senso. Leva a questionar os tempos atuais. Porém, o que está na manchete não é, definitivamente, o mundo que está lá fora. Os famosos da tevê não são os verdadeiros artistas brasileiros. Os editorialistas de jornalões não são os nossos pensadores. O que dá manchete, não é o que de importante acontece no país.
Muita gente boa está construindo um Brasil melhor. Um país desigual, mas que está no rumo certo, apesar da lentidão. São ONG, jovens idealistas, artistas independentes, blogueiros, instituições religiosas, movimentos sociais, associações de bairros, políticos que muitas vezes trabalham desconectados, marginalizados pela imprensa tradicional. Quando aparecem, é sempre para destacar algum aspecto negativo.
A grande imprensa, por interesses financeiros e de poder, trabalha com uma pauta política do quanto pior, melhor. Quem se fia por ela, realmente não conhece o Brasil dos novos tempos. Um país de esperança, de energia positiva, de solidariedade. “Bora” fechar os jornais e viver o Brasil do século XXI.
Não tenho o hábito de ler jornais faz tempo. Eu tenho problema de azia.” Lula

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Bestas à solta

Opiniões e piadas bestiais antes eram compartilhadas reservadamente, com interlocutores bem selecionados, amigos ou familiares. Contavam piada de preto, defendiam pena de morte, criticavam suposta ditadura gay, direitos humanos pra bandido e outras pérolas de preconceito, desinformação.
Porém, de um tempo prá cá, esses temas entraram sem vergonha em páginas da imprensa, como Veja. Alguns programas policialescos, há tempo, já abordavam a criminalidade de forma maniqueísta, simplista. Mas a coisa estourou. As redes sociais, o Facebook, trouxeram aquela segurança e sensação de inconsequência semelhante a que temos no trânsito para soltar impropérios. Daí, os “iguais” começaram a se encontrar. Então veio o “stand up”, e aquelas piadinhas politicamente incorretas (pra usar um eufemismo) saíram das mesas das elites e passaram pra tevê. Logo, a opinião bestial passou para o horário nobre, editoriais de jornais, e a ser compartilhada sem pudor.
É reflexo do medo de classes. A elite e a classe média tradicional morrem de medo de quem está embaixo. Tem origem no fracasso da educação, tanto em casa quanto na escola. O currículo está direcionado ao capital. A gente estuda, desde a primeira série, pra ser bem sucedido, pra ganhar dinheiro, para ser um vencedor. Assim, temos de derrotar os outros. Aí vale tudo. E qualquer tentativa de inclusão, de igualização, é vista como trapaça.
Alguém precisa conduzir o país a um processo de transformação, à correção dos rumos. Um estadista, alguma instituição religiosa, um grupo de empresários, a imprensa. Mas o primeiro está acovardado, dando cada passo com cálculos eleitorais. A segunda está mais preocupada com seus dogmas excludentes. Os empresários nacionais não têm essa capacidade de organização. A grande imprensa está na luta pelo poder e dinheiro dos patrões, acuando e acovardando todos os anteriores. Muitos cidadãos ainda lutam isolados por uma sociedade mais justa.

“Tão cegos são os homens, que chegam a gloriar-se da própria cegueira!" Santo Agostinho

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Enquanto isso, na Sala de Justiça

Só tem uma força capaz de fazer contrapeso a Ministros como Gilmar Mendes Joaquim Barbosa, o plenário do Supremo. O corpotativismo, quando não, covardia (excluído os cúmplices), dos demais colegas da casa tende a destruir a imagem dos togados, assim como ocorreu com o Executivo e Legislativo. O STF é visto, cada vez mais, como mais uma arena de politicagens, principalmente com a exposição pela TV Justiça e ação de desmascaramento dos blogueiros.
É nocivo à consciência comum de Justiça continuar “esperando para ver no que vai dar” ou torcer para que o mandato do atual presidente passe logo. Ainda com a eventual saída de Barbosa, sequelas profundas restarão à imagem do STF. A sensação de impunidade geral, de injustiça, tende a aumentar enquanto Thêmis afunda. Claro que Ministros polêmicos já passaram pela casa, mas antes do BBB TV justiça, muitas vezes, ficava restrito às quatro paredes da tribuna. A reação a eles, hoje, tem de ser na medida da ação, para que não reste dúvidas da integridade dos demais.
Acontece que os outros Ministros estão acuados pela Grande Imprensa, a qual, ao invés de aliada, representa a grande inimiga para nossos avanços democráticos. De jeito nenhum ela será contrapeso a qualquer desmando autoritário sem avaliar seus próprios interesses econômicos. O plenário deve agir, buscando o resgate/manutenção da dignidade do Supremo. Aí também a Procuradoria Geral da República e advogados das partes cumpririam relevante papel pedindo levantando impedimentos e suspeições de magistrado que tiver vínculos com as partes ou se manifestar fora dos autos sobre causa em julgamento ou que venha a julgamento.
“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. Martin Luther King

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Cativeiro da imprensa

11/02/2014 - 08:43
A grande imprensa brasileira faz mal para o país. Não é questão apenas de banalização da violência. Esta, em si, sempre foi confundida com diversão, prazer e justiça.
O mais grave é que desde as "Diretas Já", da Constituição de 88, o país vem tentando criar mecanismos de particpação popular, de influência do povo nos rumos do país. Esses instrumentos vêm se aperfeiçoando. São conselhos, leis de responsabilidade, publicidade, transparência. Porém, a mídia vai na contramão dessas intenções. Ela quer manter o monopólio do discurso, o monólogo dos editoriais.
A grande imprensa não influência um debate de democracia, de cidadania. O discurso é sempre desesperançoso. Estão sempre a procurar a gota d'água, o escândalo, o cadáver. O consumidor desses meios, o povo em geral, e aí, principalmente, pela TV aberta, é imbecilizado. Parafraseando Forrest Gump, aí o idiota faz idiotices.
E são grandes meios de comunicação nas mãos de poucas famílias. Jornalões, revistas e canais de tevês concentrados exclusivamente na região sudeste, levando as demais regiões a reboque.
Essas famílias, praticamente dominando a imprensa, usam-na na defesa de seus interesses financeiros. É assim que são escolhidas as manchetes de capa, são ditados os editoriais, são apoiadas causas, são selecionadas denúncias. E toda a população leitora é utilizada como massa para essas manobras. A opinião publicada, ainda que represente aquela minoria, acaba sendo chamada de opinião pública.
De repente, vemos, principalmente a elite e a classe média tradicional, repetindo os mesmos argumentos das manchetes. Sem reflexão. Incapaz de filtrar a opinião, ou interesses, por trás da dita notícia.
A solução é a democratização da mídia. Facilitar à sociedade o acesso aos meios de comunicação. Aumentar o número de pessoas capazes de se expressar para um público maior. Quanto mais gente, mais opiniões diferentes, mais democracia. A questão não é calar ninguém, mas dar vozes a todos. Porém, isso mexe com interesses financeiros, com o bolso, do pessoal lá do topo. É um grande debate público que a nossa imprensa não vai dar no jornal.
É preciso outro discurso. Comunicadores se vendo como cidadãos e voltados à cidadania, como o excelente trabalho feito pelo Nassif. Os leitores deste blog não saem fazendo idiotices.
Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”. Joseph Pulitzer

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Bacana é contra a corrupção

O discurso anticorrupção viciou os debates partidários e sociais sobre política. Na verdade é uma máscara para o analfabetismo político. É fácil fugir do debate político ou terminá-lo prematuramente com esse argumento.

Mas também é lamentável como o fim da corrupção é vendido como remédio para todos os males sociais. Se não fosse ela, a educação seria melhor, a saúde seria melhor, teríamos melhores salários, seria o paraíso na Terra.

Concordo, é óbvio, que a corrupção é um mal que deveria ser extirpado. Mas isso é conto de fadas. Ela pode ser controlada e reprimida, através de mecanismos legais e participação social efetiva, mas nunca eliminada. Ela é inerente à condição humana em geral, e não exclusiva de um partido ou uma pessoa.

Assim, a corrupção é apenas um dos espectros da discussão. Cabem aí, projeto, formação, ideologias, transparência – quem discute isso?

Não querer discutir política por causa da corrupção, ou tê-la como a causa de todos os males sociais, é um excelente discurso, que transforma cidadãos preguiçosos e alienados em falsos intelectuais.


Originalmente publicado na minha coluna, Mau Humor, no Jornal Perseguição News de novembro de 2012.

domingo, 4 de março de 2012

Carnaval é coisa de vagabundo...

Do blog: PERSEGUIÇÃO NEWS


     Agora começou o ano. Digo isso contrariando a própria redação deste jornaleco que alardeou isso na edição passada. Acabou o carnaval e vamos a 2012.

     Bem, mentira!


CONTINUE LENDO MEU TEXTO.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Quanto vale 0,5 kg de dignidade?



   

Novamente se esquece que o Estado é do povo. Há anos Ministérios Públicos e Defensorias Públicas estão tentando regularizar a situação das famílias que ocuparam a área do Pinheiro em São José dos Campos. O Governo Federal havia acenado com soluções. Mas a Prefeitura não parecia interessada em solução.

Visite minha coluna no Guia do Vale Mais.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Quando choro em filmes de ação



   

Missão Impossível 4 - Protocolo Fantasma


Às vezes me emociono em cenas “nada a ver” nos cinemas. Como, por exemplo, com Ethan Hunt escalando o prédio mais alto do mundo em “Missão Impossível 4 – Protocolo Fantasma”. Não coloquemos em dúvida minha masculinidade.

O que me emociona em a história, é o personagem em ação contra as adversidades. Aí pode ser desde o garoto que insiste em sapatear, contra tudo e contra todos, no drama “Billy Elliot”, o cara comum que aceita o sacrifício pela arte na comédia “Mais estranho que a ficção”, ou até o Batman, que aceita ser visto como inimigo para salvar a cidade em “O Cavaleiro das Trevas”.

É a determinação dos personagens que mexe com alguma coisa em mim. Mesmo que o mundo esteja contra ele, ele vai enfrentá-lo, custe o que custar. E aí não me importa se acho a motivação do personagem justa ou não, o que importa é a determinação. Às vezes, me emociono com o vilão!

Quem é mestre em fazer isso é o diretor inglês Dany Boyle, de Extermínio, Trainspotting, Cova Rasa. O protagonista é um banana que só apanha. Ninguém dá nada por ele. De repente, ele se mete numa encruzilhada: ou reage ou acaba; e ele reage, claro.

Isso me ajuda sempre a refletir sobre os meu sonhos. É uma discussão que se dá exclusivamente em nível pessoal. Afinal, sou um personagem de ficção ou não?

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Guerra às drogas na Crackolândia



   

Cena do filme Traffic, de Steven Soderbergh


 É absurdo como o Estado volta e meia vê o cidadão como inimigo. Ultimamente, o que me chamou atenção é a “limpeza” da crackolândia em São Paulo. Como disse o Secretaria de Segurança, a estratégia consiste na “dor e sofrimento” dos usuários.

São três passos: 1) prisão dos tranficantes; 2) apreensão da droga e aconselhamento do usuário se tratar; 3) manutenção da estratégia. Tudo isso a cargo da polícia.

Nada contra a prisão de traficantes, mas não é trabalho nem há preparo da polícia para aconselhamento do viciado nas ruas. A figura do policial já sugere repressão, causando repulsa ao marginalizado. Essa é uma imagem que a policial tem de se preocupar em trabalhar. Mas, segundo, a polícia não é preparada para essa ação, que não faz parte de suas atribuições. Isso compete a psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais.

Droga não é apenas uma questão de segurança tão somente. Envolve saúde pública, assitência social, cultura, educação, esporte, lazer. É muito mais complexo.

Quem aplicaria uma esratégia de “dor e sofrimento” contra um filho ou irmão? Talvez diante do desespero, na falência total de outros meios, antecedendo a desistência completa. O Estado está nesta situação? Prestes a desistir?

Um excelente filme sobre o tema é Traffic, de Steve Soderbergh. Ele trata da campanha norte-americana de “Guerra às Drogas”. O interessante é que ele conclui que nessa guerra nossos inimigos são nossos próprios familiares: usuários, viciados, doentes.

A crackolândia vai ficar linda em ano eleitoral. E a classe média de São Paulo vai votar no candidato da continuidade. Onde estarão os drogados? Talvez na sua casa.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Privatas do Caribe - A maldição das terras tupiniquins





O livro “A Privataria Tucana”, que em 15 dias de lançamento já atingiu a tiragem de 120 mil exemplares, é um dos fenômenos editoriais brasileiros. Um best seller. E, provavelmente, você que assiste ao Jornal Nacional, lê a Veja e assina a Folha de São Paulo nem ouviu falar.

Os documentos reunidos na obra pelo premiado jornalista Amaury Ribeiro Jr. permitiram ao autor concluir pela lavagem de dinheiro promovida por altos dirigentes do PSDB e parentes de políticos como José Serram (tudo giraria em torno dele), envolvendo ainda o onipresente Daniel Dantas, a partir das privatizações da década de noventa - governo FHC. As privatizações teriam favorecido tucanos e parentes, através do uso, por exemplo da estrutura do Banco do Brasil e do PREVI, por meio de propinas e desvios de verbas públicas, deixando ao povo brasileiro um prejuízo incalculável. Nós praticamente pagamos para vender o nosso patrimônio, muito mais do que recebemos.

Um dos méritos do livro está na clareza e didatismo com os quais consegue explicar o percurso da lavagem de dinheiro, o funcionamento de empresas “off shores”, a confusão intencional provocada pela abertura de diversas empresas de fachadas com nomes similares. Também explica e cita os nomes envolvidos, segundo o autor, no que ficou conhecido como a fábrica de dossiês de Serra, que visava a atingir, inclusive, correligionários. Como relata o jornalista, tudo começou quando ele investigava para o grupo de Aécio arapongagem da trupe de Serra, que almejava se tornar o candidato tucano à presidência em 2010 na marra.

Ao final, Ribeiro Jr. narra os bastidores das eleições presidencias em 2010. Conta a arapuca que teria sido armada pelo próprio PT, numa disputa interna São Paulo X Minas Gerais, e como a oposição se aproveitou disso, inclusive para queimá-lo, manipulando a mídia tradicional. Na época, o autor foi indiciado por quebra de sigilo do pessoal citado no livro. Mas, como ele sustenta, tudo é armação, levantando suspeitas contra a própria polícia federal, pois sua pesquisa é legal, baseada em documentos públicos.

A grande questão que o livro traz, além do butim bilionário obtido pelos privatas tucanos com as privatizações, segundo o autor, é a cooptação midiática. Nenhum desses meios tradicionais tratou com o devido destaque o livro que figura em qualquer lista dos mais vendidos. Ele merece ser defendido ou atacado à altura dos documentos trazidos. As partes lá denunciadas, pelas suas condutas públicas, devem explicações. Sem descambar para o "Fla X Flu" tradicional do nosso debate político.

O que dizer desse silêncio depois dos alardes de escandâlos da tapioca, ficha falsa da Dilma, doações da FARC ao PT desmentidas, criminosos derrubando alguns ministros com acusações até agora não comprovadas, gravações nunca mostradas, bolinhas de papel que pesam toneladas?

A mídia tradicional não pauta mais nada além da sua restrita elite branca, que na ilha da fantasia tem uma visão política e social embaçada por uma ingênua miopia maniqueísta.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Aos matadores de cachorrinhos, a lei da selva




A onda na internet é praguejar contra os torturadores de cachorrinhos.

O que diferencia um ser-humano dos demais animais é a capacidade racional. Temos instintos? Sim. Não podemos evitá-los, mas podemos e devemos controlá-los.

Já crueldade vai além do instinto. É a razão que nos possibilita ser cruel. É quando usamos nossa inteligência para satisfazer nossos instintos violentos.

O que nos dá direito de descontar nossa raiva, frustração, em outro ser vivo? Não há nada que justifique a ação/reação cruel.

Ser racional é ter a capacidade de empatia. De se por no lugar de outro ser vivo. De tentar entender porque ele se comporta de determinada maneira. De tentar entender que, quase sempre, há motivos que não alcançamos.

A violência contra esses suspeitos de crimes bárbaros contra animais, também nos transforma em bárbaros. Esses atos devem ser apurados, se for o caso julgados e, dependendo de como for, condenados em um processo justo. O facebook não é um processo penal. É isso que nos torna mais civilizados que eles.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Aos manifestantes, a lei

     



 Numa das várias belas passagens da vida de Mahatma Gandhi, ele resolve protestar durante uma votação na Índia proibida aos nativos. Época em que a aquele país ainda era colônia inglesa. A eleição influenciaria a vida dos hindus.

Gandhi pega seu voto e caminha em direção à urna. Um policial o impede. Ele insiste em seu objetivo, sem violência. O agente do estado o retira do recinto. Gandhi volta, determinado. É agredido. Levanta-se e continua. É agredido novamente. Mais uma vez, persiste. Leva então uma surra que o impede de se levantar. Tática de desobediência civil. Vejo ele como a maior personalidade do século passado, e uma das maiores de todos os tempos.

Alerto que li umas duas biografias dele há dez anos. É assim que me lembro desse episódio em específico. Vou relê-lo qualquer dia.

O que quero dizer é que protestar, manifestar-se, tem consequências. A infração à lei prevê penalidades. E é dever de um policial ou juiz agir. Não defendo abusos ou injustiças do Estado, apenas insisto que temos de ter consciência do que enfretamos. Se fossemos policiais durante um protesto com destruição de patrimônio, como agiríamos?

Policiais e outros agentes do Estado também são vítimas do sistema. Muitas das vezes, porém, o foco de um protesto se vira para eles. Sem preparo, negligência do próprio sistema, tudo descamba.

Não há limite porém ao protesto à desobediência. Dependendo da causa que se acredita estar defendendo, vale tudo. Mas tudo tem consequência.

Gandhi sabia disso. Daí sua resistência pacífica. Mesmo diante de abusos, por civis ou agentes do Estado, ele não respondia com violência, não desviava o foco para os indivíduos. Apanhou e foi preso diversas vezes. Resistir é ser mártir. Funciona? Bem, ele conseguiu a independência da Índia em 1947.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Tanto estudo pra isso...

     




Vive-se discutindo a melhoria da educação, tendo como parâmetro, principalmente, as escolas particulares. E eu me questiono sobre esse “parâmetro”. Questiono-me se é isso mesmo o que almejamos.

O nosso modelo de educação resume-se a estudar nove anos para entrar num bom colegial, estudar mais três para entrar numa boa faculdade e mais uns cinco para conseguir um bom emprego. Pra quê? Para termos um bom salário. São uns 17 anos, mais ou menos, sem contar percalços e algumas variações em cursos, para sermos um bom trabalhador.

Educação de verdade deveria não se preocupar somente em formar um bom profissional, mas de participar da formação de um ser humano. Era isso que a escola deveria ser, uma parceira do Homem. Um lugar onde a pessoa aprendesse a buscar sua identidade, a questionar, a ir além.

O erro, claro, não é da escola. O erro é da nossa sociedade, da forma que demos a ela. Mas qual o modelo ideal? Não sei. Não estudei pra isso.

Leia minha coluna no Guia do Vale Mais.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Na defesa de Belo Monte

     



A Usina de Belo Monte ainda gera, e vai gerar, além de energia, muita polêmica. É fácil descer a lenha. Não exige estudo e ser do meio ambiente é socialmente “legal”. Mas há dados a favor da hidrelétrica.

O mundo todo está fazendo a transição para meios de produção de energia elétrica de menor impacto ambiental. Mas enquanto o Brasil tem 90 % de sua matriz energética como renovável, a média mundial é de 18%.

Não há como negar que o país precisa se preocupar com a produção energética se quiser manter um ritmo de crescimento acelarado nos próximos anos. Até 2020 o Brasil pode se fixar como a 5ª maior economia mundial. E 70% do potencial energético nacional está na bacia do Amazonas e do Tocantins/Araguaia. Temos o terceiro maior potencial hidrelétrico do mundo.

Um dos argumentos contrários à construção da usina seria a sua capacidade média de produção de 40% e seu alto valor, próximo a R$ 30 bilhões, com 80% financiado pelo BNDES.

A média chinesa é 36%, enquanto a norte-americana é de 46%. E por que uma média aparentemente baixa? Justamente para diminuir o impacto ambiental. A usina poderia ter um lago maior e mais reservatórios, produzindo mais. Mas, daí, a agressividade seria maior.

Essa preocupação também aumentou o valor investido. Ou seja, a redução do impacto ambiental justificou uma usina mais cara e menos eficiente. Mesmo assim, como a rede nacional é integrada, principalmente com Sul e Sudeste, a produtividade de Belo Monte será complementada pelas demais.

E 70% da energia produzida vai para residências. Os outros 30% ficarão com o setores eletro-intensivos.

Quanto ao financiamento do BNDES, entenda-se: o dinheiro terá de ser pago conforme os juros contratados.

Fora isso, haveria contrapartidas socieconômicos para a região, que hoje é paupérrima.

Agora, acreditar que energia eólica e solar não tem impacto ambiental, é outra ingenuidade. Tanto os cataventos quanto os painéis, para produzir a mesma quantidade de energia, necessitariam de uma grande aérea, causando impacto ambiental. Ainda mais as baterias para armazenar a energia produzida possuem chumbo e outros elementos químicos. De qualquer forma, estamos mudando a matriz energética, mas isso não é de um dia para outro.

O que temos que discutir agora, racionalmente, é a mudança da nossa exportação de setores chamados eletrointensivos, como produção de ferro e alumínio, para produtos como maior valor agregado. Isso sim poderia reduzir a necessidade dessa produção tresloucada de energia. Mesmo assim, não adianta mandar fechar fábricas e trazer outro impacto social. A transição demanda tempo e energia.

Vamos contrapor argumentos?

Visite minha coluna no Guia do Vale Mais.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Senso crítico não é produto de Grife - Sobre Belo Monte

     
CRANIO/SAIDE





Primeiramente registro que este texto não é a favor nem contra a construção da Usina de Belo Monte. Há argumentos favoráveis e contrários que precisavam ser estudados mais aprofundadamente. Texto decorado e interpretado pelos artistas da Globo em um vídeo publicitário no horário nobre plagiando outro norte-americano, perdoem-me, mas não é ponto a favor. Senso crítico não é produto de grife.

O que acredito é numa hipocrisia ambiental. De todos nós. Queremos ter o carro no ano, o maior apartamento da região, Tvs de LCD (no plural), computadores (no plural), celulares (no plural), roupas de grife, cinemas, restaurantes... Todo o prazer e conforto que o dinheiro pode comprar. Queremos que o Brasil se torne potência mundial, deixe de ser o país do futuro e se torne o país do presente.

Como queremos isso? Quanto custa isso? Pouco importa. Mas se faltar um desses itens, é culpa da presidenta.

Não dá para querermos viver na nossa sala no século 22 e admirar intacto o nosso quintal preservado. É uma hipocrisia.

O que são R$ 24 bilhões? O PIB nacional de 2010 foi de R$ 3,675 trilhões.

O tamanho da amazônia, o bioma, é de 4.196.943 km2, tamanho da hidrelétrica: 640 km2. É 0,01%. O Pará tem 1.247.689,515 km2.

O Projac, centro de produção da Rede Globo, tem área total de 400 mil metros quadrados de área construída e utilizada, mas a área total tem cerca de 1,6 milhões de m2. Fonte.

Energia solar e energia eólica também trazem impactos ambientais. Necessitam de desmatamento, de baterias, que trazem compostos como chumbo e ácido sulfúrico, trazem impacto à fauna local.

Outra coisa que fiquei espantado, posivitamente, foi o desenvolvimento social que o Porto de Suape trouxe a Pernambuco, conversando com a população local mesmo. Mais empregos, melhoras das condições de vida. O Nordeste se desenvolve a “ritmo chinês”. Qual será o impacto positivo que uma construção dessa levaria ao local?

A energia assegurada pela usina terá a capacidade de abastecimento de uma região de 26 milhões de habitantes, com perfil de consumo elevado como a Região Metropolitana de São Paulo.

O que se vê é que os números mais importantes não são os que espantaram a Maitê Proença. Estudar o impacto ambiental e formar uma opinião própria não é fácil.

A Wikipedia traz um bom resumo do caso. Veja lá.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O SUS é da conta de quem?




Programa de Saúde da Família A qualidade do atendimento no Sistema Único de Saúde também é responsabilidade nossa. Sim, os políticos têm culpa pelas ineficiências atuais. Agora, a agressão covarde de mandar o Lula se tratar no SUS não é debater política.

Por que covarde? Porque é fácil compartilhar essas fotinhos pelo Facebook, protegidos do debate em casa. Mas não passa de serviço de alienado. Contribuir politicamente para o avanço da sociedade tem suas instâncias adequadas.

A maioria dessas pessoas sequer sabe como funciona o SUS. Sequer sabe que a melhoria do atendimento público de saúde também é responsabilidade dela.

E como cumprir nosso dever de melhorar a saúde? O Conselho Municipal de Saúde. Ele é o órgão composto por cidadãos que fiscaliza as contas da saúde e cobra medidas. A Prefeitura é obrigada a prestar contas e se explicar ao COMUS.

Está na hora de sairmos desse comodismo, achando que tudo depende dos políticos, que tudo é culpa deles. Se depender deles, não teremos o país que queremos – talvez o que mereçamos. A responsabilidade por construir um país melhor é nosso. É preciso agir, e perder alguns capítulos da novela.

Procure o COMUS da sua cidade.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Lula no SUS, FHC no INSS?




Política, religião e futebol não se discutem, certo? Errado.

Acho que a única coisa que não se discute é futebol. A não ser por mera diversão. Discutir política e religião ajuda na formação do homem.

O problema é que discutir política não tem passado de mera troca de ofensas apaixonadas. É difícil conseguir debater o assunto de forma madura e produtiva.

Nestas semanas estamos acompanhando as trocas de agressividade com as campanhas de “Lula no SUS” e “FHC no INSS”. O que significam esses compartilhamentos? Nada mais que isso. São da inutilidade caracterísitca da maioria das coisas que circulam no Facebook.

Não é isso que vai resolver o nosso problema. Essas “discussões” não ultrapassam essa fina superficialidade da agressividade “futebolística”. É como se cada um estivesse discutindo futebol na mesa do bar.

A maioria dessas pessoas reproduzindo essas imagens acredita mesmo que se o político fosse para o SUS ou recebesse para o INSS, melhoraria alguma coisa. Primeiro, eles não vão mudar a lei nem a Constituição para isso. Isso não vai acontecer.

Debater política é dever de todos. Mas isso exige um mínimo de acompanhamento da situação política geral, municipal, estadual, federal e mundial. É complicado? É. Mas as decisões nessas esferas, participemos ou não, influenciam a nossa vida.

O que melhora o SUS e o INSS é mais verba, melhor gerenciamento, menos corrupção. Para que o político pense nisso, é preciso que o cidadão pense nisso. Pense.

Debater política é se informar e, segundo, ser construtivo. Temos que buscar discursos que agreguem algo. Alguém aí do Facebook está acompanhando o debate atual sobre reforma política? Isso sim é mais importante que “Lula no SUS” ou “FHC no INSS”.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Na rede pra quê?





Pra que serve a internet? Para contarmos como acordamos hoje? Para dizer o que vai ter no almoço? Ah, para reclamar daquele político que nem sei que cargo é?

É, estamos descobrindo. Primeiramente a rede mundial de computadores está aí para nos comunicarmos, basicamente temos feito isso.

Mas ela também é instrumento para transformação da sociedade. No mundo todos vemos protestos contra tudo e contra todos organizados pela rede social. Está aí uma boa utilidade para internet. É como se fosse uma nova praça pública.

A maior parte do tempo, senão todo o tempo, utilizamos o computador para as mais diversas futilidades. Mas nunca um instrumento de transformação, uma arma do cidadão, esteve assim tão às mãos de todos.

Claro que a rede será sempre um rio de futilidades, com gotas de utilidades. Por quê? Acho que porque muitas das pessoas estão aqui só por estar mesmo. A maior parte das nossas conversas ao vivo, dos nossos encontros, são mesmo um desperdício de tempo.

Mas são essas gotas que vão transformando a água. Navegar na rede, para muitos é uma nau sem rumo. Mas os poucos que ora ou outra transformam o destino a humanidade, e conduzem a manada, vão postar por aqui.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Funk é cultura





Al compás del tango - Sara María Vaccarezza Fariña - artelista.com


Assim como a música clássica, a bossa nova, o funk carioca é cultura. Temos de deixar esse preconceito besta de achar que conseguimos rotular o que é ou não cultura. A música funk é expressão de um grupo que trata das coisas com as quais ele convive no dia a dia. Se fala de violência, de sexo, é essa a realidade. Se usa muita gíria e palavrão, é porque é assim que se comunicam.

É comum dizerem que a letra é chula. Qual o limite? E quem dita o limite? Chico Buarque dizer que a Geni dá pra qualquer um não é, né?

Você pode não gostar de funk carioca, é direito. Porém, ver funk como pobre, chulo e o que seja, não é reflexo da ignorância deles, mas da nossa própria. É reflexo de preconceito, desconhecimento, de um classe da sociedade brasileira muito estigmatizada

E uso o funk aqui para falar do geral, de axé, de sertanejo e tudo o mais. O samba, por exemplo, também vindo do morro, já feriu os ouvidos sensíveis da elite branca num passado não muito distante.

Há, claro, gente aí dentro que não está se preocupando com expressão cultural, mas apenas com a grana. Faz parte. Sempre vai existir.

Criticar uma música ou um artista é uma coisa. Criticar um gênero é falta de cultura.


Acesse minha coluna no Guia do Vale Mais.

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