A Usina de Belo Monte ainda gera, e vai gerar, além de energia,
muita polêmica. É fácil descer a lenha. Não exige estudo e ser do
meio ambiente é socialmente “legal”. Mas há dados a favor da
hidrelétrica.
O mundo todo está fazendo a transição para meios de produção de
energia elétrica de menor impacto ambiental. Mas enquanto o Brasil
tem 90 % de sua matriz energética como renovável, a média mundial
é de 18%.
Não há como negar que o país precisa se preocupar com a produção
energética se quiser manter um ritmo de crescimento acelarado nos
próximos anos. Até 2020 o Brasil pode se fixar como a 5ª maior
economia mundial. E 70% do potencial energético nacional está na
bacia do Amazonas e do Tocantins/Araguaia. Temos o terceiro maior
potencial hidrelétrico do mundo.
Um dos argumentos contrários à construção da usina seria a sua
capacidade média de produção de 40% e seu alto valor, próximo a
R$ 30 bilhões, com 80% financiado pelo BNDES.
A média chinesa é 36%, enquanto a norte-americana é de 46%. E por
que uma média aparentemente baixa? Justamente para diminuir o
impacto ambiental. A usina poderia ter um lago maior e mais
reservatórios, produzindo mais. Mas, daí, a agressividade seria
maior.
Essa preocupação também aumentou o valor investido. Ou seja, a
redução do impacto ambiental justificou uma usina mais cara e menos
eficiente. Mesmo assim, como a rede nacional é integrada,
principalmente com Sul e Sudeste, a produtividade de Belo Monte será
complementada pelas demais.
E 70% da energia produzida vai para residências. Os outros 30%
ficarão com o setores eletro-intensivos.
Quanto ao financiamento do BNDES, entenda-se: o dinheiro terá de ser
pago conforme os juros contratados.
Fora isso, haveria contrapartidas socieconômicos para a região, que
hoje é paupérrima.
Agora, acreditar que energia eólica e solar não tem impacto
ambiental, é outra ingenuidade. Tanto os cataventos quanto os
painéis, para produzir a mesma quantidade de energia, necessitariam
de uma grande aérea, causando impacto ambiental. Ainda mais as
baterias para armazenar a energia produzida possuem chumbo e outros
elementos químicos. De qualquer forma, estamos mudando a matriz
energética, mas isso não é de um dia para outro.
O que temos que discutir agora, racionalmente, é a mudança da nossa
exportação de setores chamados eletrointensivos, como produção de
ferro e alumínio, para produtos como maior valor agregado. Isso sim
poderia reduzir a necessidade dessa produção tresloucada de
energia. Mesmo assim, não adianta mandar fechar fábricas e trazer
outro impacto social. A transição demanda tempo e energia.