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terça-feira, 15 de março de 2011

Roteiro de história em quadrinhos



O mais importante em uma história em quadrinhos é a história. Narrativa, desenhos, enquadramento, roteiro, balões, letreiramento, são todos recursos disponíveis para contá-la. Por melhor que seja qualquer desses recursos isoladamente, como o desenho, ele não salva uma má história. Uma história ruim com belos desenhos será, no máximo, um ótimo portfólio como referência. Não será uma boa história em quadrinhos.

No momento, aqui, trato do roteiro. Assim como qualquer criação depende de inspiração e talento, também depende de técnica. O processo de confecção do roteiro passa pela ideia, sinopse e argumento.

O argumento é a história em si, com suas consequências e impressões. É o primeiro estágio de organização da história. É o que se quer contar. O roteiro é uma descrição técnica detalhada do argumento. É uma ferramenta. Ele deve deixar claro aos demais envolvidos no processo, o desenhista, especialmente, como será, o que conterá, de que ponto de vista, cada página, cada quadrinho.

Não há um formato de roteiro para HQ. Ele varia conforme o método de trabalho. Para os Estúdios Maurício de Sousa, o roteirista deve esboçar toda a HQ, colocando personagens, balões e onomatópeias, para se entregar ao desenhista. Já é a hq, só que mal desenhada. Já Alan Moore (na imagem) por exemplo, apenas escreve. Ele descreve quantos quadrinhos terá cada página, como serão os formatos de cada quadro, quem está no quadro, em que ângulo, dizendo o quê. Fora isso, dizem que ele coloca tantas referẽncias (fontes de pesquisa, fotos, história, filmes) por quadro que, para uma hq de vinte e poucas páginas, escreveria uma lista telefônica. Empresas como DC e Marvel devem ter seu próprio padrão de roteiro.

A estrutura do roteiro traz cinco elementos: a) trama: o enredo (story-line), o encadeamento de situações que desenvolvem a história; b) conflito: o problema proposto ao personagem, o que dá movimento à história; c) ações: atitudes do personagem para solucionar o conflito; d) clímax: é o ápice da ação/emoção, o momento derradeiro da história; e) desfecho: como termina a história.

É fundamental que o roteirista de uma hq tenha o domínio da técnica. Assim, ele terá noção dos recursos que têm a mão, de forma a permitir conduzir a história conforme a ideia, de modo a atingir sua intenção inicial.

Estrutura padrão para uma hq de quatro páginas:

Página 1: Situar o leitor, apresentar o personagem, onde se passa a história, e deixar o primeiro ponto de virada (apresentação do conflito), geralmente nos últimos quadrinhos;

Página 2: desenvolvimento - o personagem tentando resolver o conflito;

Página 3: continua o personagem tentando resolver o conflito. Nos últimos quadrinhos o ponto de virada (a deixa que vai levar para o fim da história); e

Página 4: resolução do conflito e desfecho.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O surgimento das histórias em quadrinhos


O surgimento das hq é um tema que gera alguma polêmica. Scott McLoud retroage ao século XI para citar uma manuscrito em imagem pré-colombiano e a Tapeçaria de Bayeux, francesa. O estudioso faz até um exercício para enxergar os primórdios no Egito antigo. Poderíamos até retroceder às pinturas rupestres, que utilizam imagens para contar histórias. Há porém o risco da perda de objetividade.

Oficialmente, contamos com Yellow Kid, o principal personagem da tira "At the Circus in Hogan’s Alley", publicado semanalmente nas páginas do jornal New York World, a partir de 1895, como o primeiro quadrinho moderno. Fato citado inclusive por Alvaro de Moya no livro a História das Histórias em quadrinhos. Na verdade, pode-se ter aí mais um exemplo da força oligopolista do Estados Unidos, visto que o título poderia ser atribuído a antecessores.

Muitos chegam a citar como pai do quadrinho moderno, inclusive McLoud, Rodolphe Töpffer, em meados do século XIX. Ele empregava "caricaturas e requadros - além de apresentar a primeira combinação interdependente de palavras e figuras na Europa" (Desvendando os Quadrinhos). Anterior ainda a Yellow Kid, o ítalo-brasileiro Angelo Agostini lançava, a partir de 1869, as Aventuras de Nhô-Quim e de Zé Caipora (na imagem). Um embrião das hq que já trazia personagens fixos, protagonizando as histórias. Mas como foram os norte-americanos que inventaram tudo...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O direito do surdo à língua própria


A aquisição da língua de sinais pela criança surda é fundamental para seu desenvolvimento pessoal e social pleno. Além de se tratar naturalmente da primeira língua, ela é meio essencial para que o surdo se comunique através da língua oficial da sociedade ouvinte. Somente respeitado o direito à comunicação plena é que o surdo se integrará à sociedade, adquirindo outros direitos e assumindo deveres como o cidadão que é.

Há polêmica no reconhecimento da língua de sinais como a primeira língua da comunidade surda. Mas a resistência é vencida quando se atenta à diferenciação entre o surdo e o deficiente auditivo.

O deficiente é aquele que possui uma perda auditiva leve ou moderada. A esse é possível a correção, inclusive por próteses. Tem-se então à mão, para inserção social desses indivíduos o processo de oralização, buscando se desenvolver a fala. É o surdo oralizado. A língua de sinais pode ser utilizada de forma auxiliar.

O surdo é aquele portador de perda auditiva severa, profunda, incapaz de falar. Esse se apoia na visualização como meio de comunicação. Aí não há outro processo que não seja a sinalização. A língua de sinais será essencial.

Logo, visto que a gestualização é natural, e imprescindível, ao completamente surdo, é necessário que haja uma padronização dos sinais a se possibilitar a comunicação plena dentro de uma sociedade, evitando-se um “Torre de Babel”. Surge uma língua própria. A língua de sinais.

A língua de sinais assim é entendida por possuir sintaxe, gramática e semântica próprias, que a diferenciam da língua oral, sendo tão complexa e expressiva quanto. Ela inclusive terá diferenças vinculadas à nacionalidade e regionalidade, assim como a oral.

Fundamental que esse desenvolvimento se dê a partir dos primeiros anos de vida, para que se torne uma língua natural ao indivíduo. Preocupação que será maior entre pais ouvintes, os quais devem se esforçar no sentido de colocar a criança em contato frequente com a comunidade surda. É essa plenitude de comunicação que permitirá que a criança adquira concomitantemente a língua dos ouvintes, tornando-se bilíngue.

Assim, é a capacidade de compreender e se fazer compreender plenamente que possibilitará a integração social do surdo. Ao se comunicar, o surdo, além do seu pleno desenvolvimento humano, perde a pecha de “deficiente mental”, atribuída por uma sociedade preconceituosa, que o vê, inclusive legalmente, como absolutamente incapaz.

Referências

DIRZEU, Liliane Correia Toscano de Brito. CAPORALI, Sueli Aparecida. A língua de sinais constituindo o surdo como sujeito. Acesso em 20 jan. 2011.
PORTAL DA EDUCAÇÃO. Curso de Libras. Acesso em 20 jan. 2011.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O segundo maior brasileiro hoje

Miguel Nicolelis (São Paulo, 7 de março de 1961) é um médico e cientista brasileiro. Foi considerado um dos 20 maiores cientistas do mundo no começo da década passada, segundo a revista "Scientific American". Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. Nicolelis é o primeiro cientista a receber da instituição americana no mesmo ano o Pioneer e o Transformative R01 e o primeiro brasileiro a ter um artigo publicado na capa da revista Science. Frequentemente é cotado até a ser indicado ao Nobel.
Ele se formou em Medicina na Universidade de São Paulo (USP). Professor titular de Neurobiologia e Engenharia Biomédica e co-diretor do Centro de Neuroengenharia da Duke University, também lidera o projeto do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, na capital do Rio Grande do Norte. Em Natal uma das linhas de pesquisa de Nicolelis visa caracterizar a resposta tecidual ao implante dos mesmos eletrodos utilizados nas pesquisas que são desenvolvidas em seu laboratório na Universidade Duke. Ele trabalha com crianças de escola pública em região com o pior IDH do Brasil.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_Nicolelis [adaptado]

Abaixo, segue um texto lindo dele.

SONHANDO COM O IMPOSSÍVEL

O Neurocientista Miguel Nicolelis, em aula inaugural do segundo semestre de 2009 na Universidade de Brasília (UnB), quebra o protocolo, e em sua surpreendente Aula da Inquietação é ovacionado por um público emocionado.

"Vocês, principalmente os que estudam em universidades públicas, representam os sonhos de realização de milhões de pessoas que jamais poderão vir para cá. São brasileiros que diariamente levantam da cama para trabalhar em empregos que muitos de nós jamais teríamos a coragem de enfrentar no nosso dia-a-dia, para que vocês possam estar aqui.

O sonho que não se converte em realidade inibe o indivíduo que perde a autoconfiança e o pior, causa a inibição coletiva do entorno que vê um sonhador derrotado. Quando um sonhador delirante é derrotado, a mediocridade triunfa e isso é terrível.

Vocês não foram postos aqui pelo resto do Brasil para fazer algo medíocre. Vocês foram postos aqui, receberam esse privilégio de toda a sociedade brasileira, para construir uma nação, e uma nação só se constrói se sonhando com o impossível, sem se esquecer do próximo.

Eu sou de uma geração que tentou fazer o que vocês têm a chance de fazer e fracassou. Nós não conseguimos construir o Brasil que nós queríamos, mas temos agora a oportunidade de testemunhar a tentativa de vôo de vocês.

Na história inteira deste país, vocês são primeira geração que tem verdadeiramente a chance de
transformar este país num exemplo para a humanidade toda.

Não existe uma expressão que eu abomine mais quando eu venho para o Brasil, quando alguém vira para mim e fala: Nossa, as coisas que fazem lá, no seu laboratório, é coisa de primeiro mundo. Eu paro pra pensar e digo: "Mas que primeiro mundo é esse? De onde vem isso?" Ou então quando ocorre alguma coisa negativa na nossa vida cotidiana e alguém fala: "Isso só acontece no Brasil".

Eu tenho uma boa e uma má notícia para aqueles que usam essa expressão e gostam do primeiro mundo: O primeiro mundo faliu, em todos os sentidos; faliu financeiramente, faliu moralmente, faliu eticamente... E agora vem a boa notícia: O primeiro mundo agora é aqui.

E foi por isso que nos fomos para Natal a seis anos atrás, para tentar realizar um outro sonho impossível, criar um instituto de ponta de neurociência comprometido com a transformação da realidade social daquela região, Hoje ela tem a maior escola de educação cientifica infanto juvenil do Brasil, para 1000 crianças da rede publica de Natal, que são hoje os primeiros brasileiros a terem uma educação publica em tempo integral.

Elas eram esquecidas, elas faziam parte do pior distrito escolar do país, de acordo com as estatísticas do MEC. As quatro piores escolas do país estavam nessa região, e foi ali que nos selecionamos 1000 crianças da escola publica e trouxemos elas para aprender ciência de ponta. Essas crianças, de 10 a 16 anos, se transformaram em protagonistas do próprio ensino, elas não têm aula teórica, elas freqüentam os melhores laboratórios de ciência e tecnologia que existem no Brasil para crianças, construídos para crianças, e elas hoje dão banho em qualquer criança de qualquer escola privada do estado de São Paulo, e elas se orgulham de serem descendentes dos índios potiguares, os únicos índios tupi guarani que resistiram à colonização portuguesa.

E sabe onde vocês vão encontrar cada um desses 1000 alunos, que vão virar 5000, e que graças a um decreto que vai ser assinado pelo ministro da educação e pelo presidente da republica, vão se transformar um milhão de crianças pelo Brasil afora, daqui a alguns anos? Aqui na UNB, na USP, na Unicamp, elas vão se transformar em agentes de transformação social, de baixo para cima, não de cima para baixo.

E quando elas chegarem lá, podem acreditar, o prédio ao lado (Senado) vai ser ocupado por outro tipo de gente."

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/miguel-nicolelis-sonhando-o-impossivel

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